Sentada na esplanada , aprecio os teus passos suaves dados sem nunca reparares em mim .
Dizias amar-me mas continuavas o teu caminho , como se não fizesse parte dele ..
Sentia-me invisível ao ter-te tão perto e nunca notares , tocar-te e nunca sentires .
A bebida não me consola , é como se não tivesse efeito e luto resistir há tentação de mais um copo , um copo que me olha e é como se me disse-se « Drink me and everything will be alright » , acreditei mas pouco durou , o tempo que me ria nem as lágrimas compensou .
A dor continuava intensa numa cicatriz aberta , profunda e sensível ao toque .
Manhãs e noites passadas , sentada há janela à espera de te ver sair e para que não reparasses mesmo sem sequer sonhares que eu estava tão perto ..
Saís e eu saío para te seguir , perco-te de vista e decido parar por uns instantes .
Compro um maço de tabaco mas juro a mim mesma não tocar em nenhum deles .
E vejo-te .. com ela .
O abraço terno que lhe dás acaba com aquela minha vontade de me manter viva por muitos anos .
Agarro no maço e puxo por um cigarro .. Acendo-o e ele queima como o meu coração , dura e lentamente .
Começo a tossir como se fosse um sinal de que era suposto parar , mas continuo com o desejo de acelerar um pouco a minha morte .
Cada passa é uma facada tua no meu peito , a única diferença é que a dor que o tabaco provoca consegue ser menos dolorosa , que aquela que as tuas palavras causam .

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